terça-feira, 23 de março de 2010

SERRA DO MEL UM EXEMPLO CONTRA O CAOS URBANO

O município de Serra do Mel nasceu de um projeto de colonização idealizado em 1970 pelo então governador do Estado do Rio Grande do Norte, José Cortês Pereira de Araújo, implantado em 1972, ainda em seu governo, mas somente concluído no ano de 1982 com a ocupação de quase todas as suas vilas rurais.

O projeto de colonização que deu origem ao município foi executado conforme o modelo dos MOSHAV [ISRAEL] e tinha por finalidades:

  • constituir um projeto de Reforma agrária, através da doação de lotes em condições favoráveis aos pequenos agricultores;
  • absorver parte do contingente do parque salineiro que fora desempregado pela mecanização das salinas nas áreas próximas.

Sua colonização teve início a partir de sua criação, com o assentamento das primeiras vilas: Paraná, São Paulo, Guanabara, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Sendo, no total, estruturado para atender 1.196 famílias.

O deslocamento dessas famílias ocorreu gradativamente, e em 1982, ano de conclusão do projeto, já contava com 19 vilas colonizadas, totalizando 1.003 famílias residentes.

Em 1984 se deu a colonização de todas as vilas que compunham projeto, e os primeiros resultados começaram a surgir da produção agrícola. Em pouco tempo Serra do Mel passou a ser um grande celeiro produtivo do Rio Grande do Norte, principalmente através do projeto estimulador da prática do cooperativismo aliado à cultura do cajueiro e à grande exportação de castanha caju.

Assim, no dia 13 de maio de 1988, de acordo com a Lei nº 803, Serra do Mel conseguiu sua autonomia política, tendo suas terras desmembradas de Assu, Areia Branca, Carnaubais e Mossoró, tornando-se um novo município do Rio Grande do Norte, o único a ter sua origem a partir de uma área de assentamento de trabalhadores sem terra no Estado.

O município de Serra do Mel está dividido em vilas comunitárias de produção, sendo 23 núcleos habitacionais (22 vilas rurais e 1 vila central) que receberam, cada uma, o nome de um Estado Brasileiro. Situado numa região ímpar em nível geográfico e clima, o município prosperou rapidamente e em pouco tempo viu crescer o seu núcleo populacional.

São 1.196 lotes agrícolas no espaço original do projeto de colonização. Cada um dos lotes com 50 hectares, sendo 1.174 com 250 metros de largura por 2.000 metros de comprimento e apenas 22 (aqueles que estão situados ao lado na área habitacional de cada vila), com a mesma área, mas com 500 metros de largura por 1.000 metros de comprimento. Os lotes agrícolas de Serra do Mel, quase todos com 50 hectares, foram projetados para dispor de:

  • 15 ha para a cultura do caju (permanente);
  • 10 ha para as culturas temporárias;
  • 25 ha em mata nativa para reserva florestal.

Cada um dos lotes agrícolas originais de 50 hectares (ou com pequenas variações de área) foi recebido pelo colono com 15 hectares plantados de cajueiros, em espaçamento de 10m x 10m, no sistema quincôncio, perfazendo 1.725 pés em cada lote, distribuídos em 69 fileiras (carreirões) com 25 plantas em cada. Originalmente, portanto, o projeto dispunha de 2.063.100 cajueiros, plantados em 17.940 hectares.

Para as culturas anuais foram reservados originalmente 11.960 hectares, sendo 10 hectares em cada lote.

A área legalmente considerada urbana compreende as vilas Brasília, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Sergipe e Goiás, abrangendo cerca de 30 km², para uma população de aproximadamente 2 mil habitantes, espalhados em núcleos que distam até 10 km, como as vilas Pernambuco e Goiás, ou 5 km, que é a distância das vilas centrais (Brasília e Rio Grande do Norte) para qualquer uma das outras vilas que compõem a área urbana do município.

Cada vila conta com serviços básicos de Saúde, Educação Abastecimento d’água, energia e Armazenamento.

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