terça-feira, 28 de setembro de 2010

DESCASO NA EDUCAÇÃO DO RN QUAL O LIMITE BRASIL ?


O descaso em que se encontra a Biblioteca Pública Câmara Cascudo denuncia a atenção dispensada pelos governantes à cultura do Estado. Detentora do maior acervo da história e cultura potiguar, com cerca de 100 mil peças entre livros, revistas, CDs, DVDs e recortes, a instituição padece com a falta de recursos para manutenção do prédio e ampliação do acervo.

Informações da direção dão conta que a última compra de livros foi realizada há 25 anos, isto porque não existe no orçamento de governo e prefeituras verbas destinadas especificamente para este fim, sendo todo material fruto de doações da Secretaria de Educação e Cultura, autores e dos próprios usuários.



Após 41 anos, completados no último fevereiro, a instituição sofre os processos burocráticos para licitação da primeira reforma do prédio localizado na rua Potengi, em Petrópolis. Com infiltrações nas paredes e teto, fachada deteriorada e pisos de taco esburacado em quase todas as salas, o prédio é uma afronta a busca por conhecimento.

As péssimas condições das instalações elétricas, que datam da fundação do prédio, impedem que o funcionamento ultrapasse às 17 horas, visto que as lâmpadas do pavimento superior, onde fica parte do acervo e a administração, não podem ser ligadas. A ampliação de três novas salas, em 2002, não atende a contento as necessidades do local.

"É decadente, mas a situação já esteve pior, porque não havia perspectivas de reforma. Estamos com o reboco caindo, piso faltando, problemas hidráulicos, além do super aquecimento e risco de curto caso as luzes sejam acesas. Há energia elétrica, mas não podemos usar pelas condições da parte elétrica", revela o diretor Márcio de Farias, coordenador do Programa Estadual de Bibliotecas Públicas.


A cena, segundo o diretor, se repete em todas as 150 bibliotecas municipais espalhadas pelo Rio Grande do Norte. A falta de recursos e qualificação de pessoal anulam qualquer possibilidade de autonomia na gestão destas entidades, que hoje são, segundo ele, "vistas como depósitos de livros antigos e não como fonte de conhecimento".

"Não há como comprar livros novos. Nenhuma biblioteca do país recebe dinheiro para isso. É normal que as bibliotecas sejam tachadas de desatualizadas". Até os jornais de circulação diária são trazidos de casa pelos próprios funcionários da instituição
.
A falta de investimentos, explica Márcio de Farias, é o principal fator que compromete a efetividade do programa Biblioteca Mais do governo federal, que visa implantar unidades em cada município brasileiro. Das 361 cidades elencadas pelo Ministério da Cultura sem bibliotecas públicas, 17 são potiguares.

"Não adianta criar os espaços e não dá condições das prefeituras manter. É preciso a criação do cargo de bibliotecário e realização de concurso público para contratação de profissionais qualificados (nível superior).

Não é só arrumar os livros na estante que vai fazer a coisa dá certo", enfatiza o diretor. A BPCC dispõe de cinco bibliotecários para atender a demanda nos 150 municípios.

No entanto, defende Farias, a Câmara Cascudo cumpre sua missão. Apesar do perfil de visitantes ser formado por estudantes de ensino fundamental e médio da rede pública, que procura o espaço como complemento para pesquisa escolar, o acervo se destina a pesquisa da história do Rio Grande do Norte.

"Muitos acham que a função de uma biblioteca pública é atender a esta demanda com material didático. Na verdade, tem o papel de preservar a memória e cultura de um povo, de uma cidade, estado, região. E neste ponto, apesar de todas as carências, a Biblioteca tem cumprido em 70% a sua missão", destaca o diretor

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